Proteção de Nascentes: Goiás foi o estado que mais trabalhou em prol do meio ambiente

  • Data: 11/12/2015

Michelle Rabelo e Nayara Pereira
Depois de percorrer vários municípios goianos em busca de aliados no trabalho em prol do meio ambiente, a Federação da Agricultura e Pecuária de Goiás (Faeg) e o Serviço Nacional de Aprendizagem Rural em Goiás (Senar Goiás) foram homenageados, nesta quinta-feira (10), na sede da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), em Brasília, como o estado que mais protegeu nascentes no Brasil. O motivo foi o trabalho que as duas entidades realizaram durante o ano em prol da preservação da água, participando ativamente do Programa Nacional Proteção de Nascentes. Desde que a iniciativa foi lançada, protegeu-se em âmbito nacional em torno de 1.760 nascentes, sendo que destas 666 no estado de Goiás.

A iniciativa faz parte das ações da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) e da Administração Central do Senar, que em março deste ano fizeram o lançamento nacional do Programa com o objetivo de proteger e recuperar nascentes em todo o Brasil, envolvendo a participação de todos os estados. Em Goiás, já vestiram a camisa em prol do meio ambiente os municípios de Aparecida de Goiânia, Bela Vista de Goiás, Orizona, Itaberaí, Silvânia, Rubiataba, Alexânia e Trindade, entre outras. As nascentes, localizadas em 66 municípios, foram cadastradas e protegidas, e agora seguem sendo monitoradas.

Durante evento na CNA, o presidente do Conselho Administrativo da entidade, José Mário Schreiner, fez questão de ratificar a importância da iniciativa, apontando o objetivo da entidade: mostrar à população a preocupação do setor agropecuário com a qualidade da água e a preservação da biodiversidade brasileira. “Alguns países já trabalham com a dessalinização da água. São Paulo vive uma crise hídrica gravíssima. E nós? Nós vamos arregaçar as mangas e proteger o maior número possível de nascentes”.

Para, Schreiner, que também é presidente da Faeg, o Programa vai possibilitar a interação com todos os envolvidos no agronegócio e na agropecuária. “A proteção de nascentes pode garantir o abastecimento de água no campo e na cidade. Esse tipo de ação é fundamental não só para o cumprimento de uma legislação ambiental, mas principalmente para mostrar que os produtores rurais, juntamente com as instituições representativas, são protagonistas na proteção do meio ambiente. Estes são os maiores interessados em preservação e proteção, já que dependem para viver e para manter a sobrevivência do próprio negócio”, disse.

Etapas do programa
O Programa é composto por 5 etapas: identificação da nascente, cercar o local, limpeza da área, controle da erosão e replantio de espécies nativas. A meta nacional é proteger mil nascentes até o final do ano. Em Goiás, o objetivo é recuperar cerca de 200 nascentes.

Balanço e perspectivas
Paralelo ao prêmio, a CNA realizou um balanço do setor em 2015 e também as perspectivas para 2016 para jornalistas e os principais veículos de comunicação do Brasil. Acompanhado pelo presidente da Confederação, João Martins, o presidente da Faeg e também vice-presidente da CNA, José Mário Schreiner, apontou que 2016 será o ano de cautela e controle de custos. "Precisamos estar atentos e preparados para o ano que está próximo. Cada vez mais, o Brasil deposita a confiança na agropecuária e no agronegócio. Por isso devemos estar preparados", disse. Ao final, Schreiner foi nomeado presidente da Comissão de Políticas Agrícolas da CNA, com a missão de trabalhar por um seguro rural acessível e forte em prol dos produtores rurais.

Saldo
Segundo o Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), da Universidade de São Paulo, a agropecuária foi o setor que mais exportadou em 2015. A desvalorização do real frente ao dólar contribuiu para tornar o produto brasileiro ainda mais competitivo no mercado externo. A expectativa é que o volume de produtos do agronegócio exportado confirmem recordes em 2015, com aumento de até 17%. Além disso, a participação do agronegócio nas exportações passou de 43% para 48%, consolidando o setor como o líder nas vendas externas. Produtos florestais, soja e milho destacam-se entre as cadeias produtivas com bom desempenho.

Entretanto, a queda nos preços internacionais das commodities tem afetado a receita de comércio exterior do setor. Em 2015, as vendas externas do agronegócio brasileiro devem apresentar valor 8% abaixo do verificado em 2014, atingindo US$ 89 bilhões. Para os segmentos como leite, ovos e suínos, por exemplo, a perspectiva é de leve queda. As dificuldades econômicas enfrentadas pelo País, aliadas à queda nos preços das commodities e à instabilidade da moeda brasileira, são determinantes para essa redução.

Contudo, apesar das dificuldades, 2015 foi marcado por significativo avanço no acesso a mercado para alguns produtos. Países de importância econômica como Estados Unidos, Rússia, Argentina, África do Sul e Japão retiraram embargos ou começaram a importar produtos brasileiros, como lácteos, carnes bovina, suína e de frango e farinha de carne. O que reforça, ainda mais, o papel fundamental do setor nas exportações brasileiras.